maio 16, 2012
775 - TRISTE DESPERTAR
TRISTE DESPERTAR
Sonho ser um poeta do povo
Escrevendo boas trovas pró artista
Ele as cantará pró mundo novo
E que a elas, ninguém lhes resista
Quero pura inspiração perfeita
De poesia bela e cordial
Com a pomba da paz que deleita
Um mundo de amor sem igual
Sonho versos de vida atraente
Que escreverei em algum lugar
Serão p’ra gente, que ama gente
Que mais tarde não os vá defraudar
Quero a poesia bem caprichada
De sentimentos que todos lêem
Seja livre e não amordaçada
P'ra paz que todos a vêem
Do meu sonho, estou a despertar
A vontade não foi abençoada
Escrevo apenas, só por eu gostar
Não, não sou o poeta, não sou nada!
De: Fernando Ramos
22.7.2007
10s
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maio 15, 2012
774 - TEUS NEGROS OLHOS
TEUS NEGROS OLHOS
Teus olhos, de tão negros
Fazem as noites bailar
São felizes e sem medos
Que encantam meu sonhar
Dão feitiços ao luar
Que os meus avassalam
Não os quero ver deitar
Lágrimas que me calam
Tornam meu mundo rico
Num intenso voltear
Esse negro tão bonito
Propenso ao meu beijar
Veiem em vagas d’amor
Em sentimentos de arfar
Eu os beijo com amor
P’ra esses olhos gostar
E de tão negros que são
Me inspiram no versar
Dão palavras de razão
Rimadas em teu olhar
De: Fernando ramos
20.1.2007
7s
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maio 14, 2012
773 - PORTAS
PORTAS
Bati em algumas portas
Nem uma só se abriu
Não foi em horas mortas
Nem esse era um dia de frio
Em outra, depois fui bater
De dentro respondeu uma voz
“A porta não abrirei, ficas já saber
Que aqui mora um sofrimento atroz”
E numa corrida sem tamanho
Dali, logo, logo, fui partir
De dor, já basta a que tenho
Prefiro viver por aí a sorrir
Ás portas não volto a bater
Não se sabe o que lá vai dentro
Não vá, eu também um dia sofrer
O resto da vida em lamento
De: Fernando Ramos
De: Fernando Ramos
19.1.2007
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maio 13, 2012
772 - GENTE BONITA
GENTE BONITA
GENTE BONITA
Num belo Abril floresce o bonito cravo
De pétalas empregnadas de conquista
P’ra muitos, e muitos, é um feliz fado
Na rouquidão da voz, do grande artista
Nasceu numa boa manhã de Abril novo
Num Portugal onde a paz já se grita
Abriram-se prisões, soltou-se um povo
Da terra abençoada, de gente bonita
Vieram trovadores, e todas as artes
Cantar na rua a balada bem catita
Partiram pró estrangeiro, alguns trastes
Fugindo na crista da ganância banida
Lançaram-se foguetes por tanta glória
Chorou-se a poesia à muito escrita
Ecoaram das almas gritos de vitória
Da terra abençoada, de gente bonita
Espera-se que todos saibam conservar
Tal grandeza da extraordinária pepita
Cravos de amor, muitos se irão plantar
P'ra que ao povo, não falte preciosa sopita
Apareceu esta paz, julgada perdida
Nos bons corações amarrados por guita
Cantou-se Abril, na garganta ferida
Da terra abençoada, de gente bonita
Desfraldaram-se bandeiras de tanto amor
De pura fazenda, que não era de chita
Ofereceu-se pão, a quem comeu a dor
Nos bairros tragados p’la miséria dita
Somos um povo que jamais se irá curvar
Ao déspota carrasco, da mágoa aflita
Contra ele, a injustiça irá bem lutar
Na terra abençoada, de gente bonita
Oh! Como é bom viver, assim liberto
Na heróica pátria, em páginas descrita
P’lo ilustre Camões, num belo livro aberto
Na terra pisada por gente bonita
E hoje não sabemos se Abril é memória
Porque gentes de vintem o vão destruindo
Chora o povo por pão, trabalho e gloria
e por outro Abril que se irá construindo
De: Fernando Ramos
17.1.2007
12s
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maio 12, 2012
771 - SORRIR DE SAUDADE
SORRIR DE SAUDADE
Tenho saudades de quando estudante
E de algumas moçoilas que namorei
Para quem era, seu cavaleiro andante
De tantos beijos, que lhes surripiei
Como era bonito esses tempos passados
E de quando ia ás praias do mar do sul
Pisar a cristalina areia dos namorados
Fascinando-me dos lindos tons do céu azul
Tenho saudades, das árvores que subia
Para espreitar o ninho do rouxinol
Que para mim gorjeava em alegre mestria
Ao chegar da noite, e ao fugir do sol
Como era tão feliz por essa altura
Onde p’los quintais apanhava a boa fruta
Era criança, de infância muito dura
Que p’la vida fora moldou a conduta
Tenho saudades, das brincadeiras de rua
E saltar o velho muro da escola
Jogar à bola, até raiar a doida lua
Descalço, porque nos pés não havia sola
Como era bom ser menino, e ter tempo
Que hoje bem recordo em liberdade
Me cai a lágrima por esse puro momento
E de tudo isto, sorriu de saudade
De: Fernando Ramos
15.1.2007
12s
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maio 11, 2012
770 - NOSSAS CARTAS
NOSSAS CARTAS
Fechas teu coração ao mundo
P’ra que o meu nunca o vá encontrar
Agora, chora-me ele bem no fundo
Mas um dia o lamento irá passar
Trocámos tantas cartas, meu amor
Nelas desenhamos nossas estrelas
Ás noites, são poemas de esplendor
Que as vou recordando, ao lê-las
Não as rasgarei tira, a tira
Numa doce ansia que regresses
Teu perfume nelas por mim gira
Ao rogar a Deus, nas minhas preces
Abre teu quente coração, ao meu
E guardarei todas as cartas num baú
Nelas conservo um beijo teu
Roubado, quando p’ra ti era tabu
Nossas zangas sempre veiem, e vão
Levando-me a esperar-te, amor
De algumas, me culpas com razão
Trazendo sofrimento e tanta dor
de: Fernando Ramos
12.1.2007
10s
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maio 09, 2012
769 - TRAGO SONHOS
TRAGO SONHOS
Trago no olhar o desejo
Nos lábios teu sabor
No rosto um doce beijo
Na pele, teu brando calor
Trago nos sonhos fantasia
De ilimitada sedução
Na esperança, tanta alegria
Na alma o calor da emoção
Trago doces dias como lembrança
E no peito tua imagem gravada,
Preservada como herança
Trago felicidade que encadeia
E à tanto tempo ansiada
Por tua paixão que me rodeia
De: Fernando Ramos
11.1.2007
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maio 08, 2012
768 - O DITADOR
O DITADOR
Lutai. Lutai, ilustre torpe desbravador
Que lá bem alto a insensatez te chama
Vives da impostura e trazes dor
E Deus um dia, tua culpa reclama
Ouves a lira, no teu ódio obscuro
Lês a nota preta na pauta adornada
Levas vidas, pró silencio puro
Que lhes espera a paz abençoada
Vais chorar a dor, triste guerreiro
Da tua desventura cavernosa
No inferno de Dante, não serás primeiro
Lá te aguarda, a chama invernosa
No teu trono temeroso e horrendo
Vai rodeando a boa esperança
Daqueles que na espada vão padecendo
P’la liberdade ganha como herança
E no horrível sepulcro da tua existência
Os vivos lamentam sua pouca sorte
És um ditador de vil demência
Que à existência só trazes morte
De: Fernando Ramos
De: Fernando Ramos
10.1.2007
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767 - PORQUÊ MEU AMOR?
PORQUÊ MEU AMOR?
Quero esquecer que existes
E não consigo
Quero esquecer tuas palavras luminosas
E não consigo
Quero esquecer nossos momentos
E não consigo
Quero esquecer que te quero
E não consigo
Quero esquecer as madrugadas de sonho
E não consigo
Porquê, meu amor ?
Porque não consigo?
Estás permanentemente no pensamento
Vives eternamente no meu coração
O que falhou meu amor
P’ra esta afrontosa desilusão?
És a fantasia do meu desejo
És a saudade que dói
És um sonho que sinto, fugir
Porquê meu amor?
Porquê?
Porquê, esta dor que não cala
Porquê, este silencio que fala
Porquê meu amor?
De: Fernando Ramos
9.1.2007
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maio 07, 2012
766 - MANTO DA VERGONHA
MANTO DA VERGONHA
Cometi erros imperdoáveis
E é uma atitude inesquecível
Andei por guerras censuráveis
Banhando-me no pecado apetecível
Peço perdão por tal facto
Que tantos decepcionou
Se for concedido, serei grato
A quem a má fortuna perdoou
Estou amargurado, pálido e cansado
Desta minha triste ousadia
Jamais voltarei a tal pecado
É um desejo, e não tontaria
Devotadamente ao divino rogo
P’ra jamais cair em tal tentação
Sou p’la paz, e pelo diálogo
E não p’la guerra sem razão
Hoje choro de arrependimento
Por da insânia não ter fugido
Minha vida foi um triste momento
Neste passado que exijo sumido
E no xadrez da noite escura
Lembro esta atitude medonha
É uma mágoa que perdura
Coberta p’lo manto da vergonha
De: Fernando Ramos
8.1.2007
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maio 06, 2012
765 - IDEAIS SUBTRAIDOS
IDEAIS SUBTRAIDOS
Meus mil ideais foram outrora subtraídos
Por guerras vergonhosas de inóspitos lugares
Aconteceu nas viagens de desejos lá vencidos
Na costa Africana, de longínquos mares
Ideais os perdi nesses infernos carregados
Numa África, filha de dó, herdeira de nada
Buscando a paz descrita em poemas chorados
Inspirados por mim, enviados p’ra minha amada
Ela me espera desta aventura vagante
E por outros ideais já combati
Como minha perene fortuna errante
E por uma razão achada omnipotente
Cheguei a um final, onde sempre perdi
Numa guerra criada por gente demente
De: Fernando Ramos
5.1.2007
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maio 05, 2012
764 - DOCE VOZ DE MAGIA
DOCE VOZ DE MAGIA
Na tua doce voz de magia
Passam poemas de bonitos amores
São belos pedaços de fantasia
Em rimas de muitos autores
Tua voz lê com brandura
Desgostos gastos num tempo
Brota tua boca de formosura
Poemas inspirados de alento
Neles, a vida dança livremente
Sem obedecer a regras da partitura
É poesia bela e resplandecente
Em puras palavras meigas inocentes
Repletas de paixão e candura
P´ra corações de amores ausentes
De: Fernando Ramos
5.1.2007
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maio 02, 2012
763 - MEU BOCAGE
MEU BOCAGE
763 - MEU BOCAGE
Hoje, num dia bravo de Inverno
Por uma rua do meu bairro
Caminho p’la calçada da velha cidade
Em meu pensamento Vai a lembrança
De um livro que me ofertaram
Num natal passado
É uma antologia de Poesias
Do grande Barbosa Du Bocage
Como eu gosto deste danado
Poeta escritor
Que andou p’la Índia
E irreverentemente passou seu tempo
Pela boémia da minha bela cidade
Onde nunca perdia a oportunidade
De expor a sua forma satírica
Sempre numa frase que servia
Venenosamente para atormentar
Os maus espíritos dos bem pensantes
Dessa longínqua época
Como ele adorava moças de mil atributos
Como gozava à sua maneira
A vida estúpida de preconceitos
Ah grande Bocage
Meu, Manuel Maria Barbosa Du Bocage
Como tu escrevias a verdade,
Quando estavas mais pachorrento
Se fosse hoje, até eu te convidava
Para irmos beber umas ginjinhas
Ali pró Rossio, e passarmos
P’la casa do teu amigo Nicola
P’ra atormentares ironicamente
Como só tu sabias
Alguns espíritos que passam
por lá agora
de: Fernando Ramos
4.1.2007
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abril 28, 2012
762 - ESTRELA DE DEUS
ESTRELA DE DEUS
Nasceu o menino, lá na terra longínqua
Cantam os anjos de tanta alegria
Reis magos e pastores, de alma infinita
Seguem a estrela que tão bem os guia
Reis, levam rendas de belo bordado
O pastor humilde, sua ovelha branca
Para o menino nas palhas deitado
Com seu olhar que a tantos encanta
E Jesus sorri, de rosto iluminado
Prós olhos brilhantes de sua mãe Maria
Por todos é querido e muito bem mimado
Recebendo esse calor dentro da estrebaria
Ao mundo veio p’ra nos livrar da dor
Traz felicidade, e nos oferece a paz
Conforta os pobres com tanto amor
Porque esse milagre só ele é capaz
Tantos não percebem, seu primeiro olhar
Que foi aos humildes que ele destinou
Sofre por eles, quando os vão maltratar
lacrimejando a estrela que Deus enviou
de: Fernando Ramos
25.12.2006
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abril 26, 2012
761 - NO CÉU TOCA O SINO
NO CÉU TOCA O SINO
No céu toca o sino
Sorrindo estrelas no seu brilhar
Nasceu o Deus menino
Que o povo vai abençoar
Nos seus cânticos de amor
Pedem paz e felicidade
Que é rara, neste mundo de dor
Onde a guerra é banalidade
Os anjos anunciam o menino
Pró mundo se alegrar
Ele é um Deus pequenino
Que p’lo natal vai chegar
Vem de amor e alegria
Mais a caridade que seduz
Traz-nos o bem, por magia
Como milagre de Jesus
De: Fernando Ramos
24.12.2006
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abril 25, 2012
760 - DOCE PICA
DOCE PICA
Vou andando pela rua
De olhos pregados ao chão
Parece que vou na lua
Mas não vou na lua não
É que, a vida me faz pensar
No tédio que é ser drogado
Vou ando de cabeça no ar
Ansioso do ópio amaldiçoado
Mas que poderei fazer
P’ra deixar tal triste tentação
Essa vontade é raro aparecer
Nesta miséria sem solução
Vivo na doce pica da desgraça
Penhorando meu futuro
Haverá cura abençoada
P’ra este pobre vagabundo?
Minha morte irá aparecer
De mansinho, ou na agitação
Certamente da droga irei morrer
Bem escondido da multidão
Vou andando pela rua
De olhos pregados ao chão
Parece que vou na lua
Mas não vou na lua não
De: Fernando Ramos
22.12.2006
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abril 19, 2012
759 - O OUTRO NATAL
O OUTRO NATAL
Junto à lareira, na companhia
Do crepitar das brasas arder
Vou olhando p’ra rua
Sinto o tempo frio, e vou pensando...
O que estará lá fora acontecer!
Meu cérebro, é um filão de imaginação
Mostra-me a verdade que ele alcança
E nesse espaço vejo por sua janela
P´ra minha desilusão
Que na paz, lá fora afinal
Nela ninguém descansa
Ao som de sinos, e de coros
Desperto p’ra nefasta realidade
Do carnaval endoidecido que nos cerca
E vejo vidas retalhadas como toros
De arvores queimadas pela maldade
Dizem que há um feliz natal
Mas qual natal?
O faz de conta reina neste período
Parece que todos são felizes por igual
Esquecendo-se dum ano mau, e surdo
Não vêem nem querem ouvir
O grito da mulher
Do idoso, e da criança maltratada
Precisamente por aquele
Que p´lo natal nem parece aflito
Com o seu egoismo e crueldade
Em todo ano praticada
Da minha janela, contemplo os raios de sol
E o orvalho da vida, nas folhas a desaparecer
Caindo como goteiras num telhado dum farol
Que vai guiando a mentira e a hipocrisia
Com o que está acontecer
Mas é natal, é natal, é natal
Dirão os mais felizes
Mas qual natal, o do bem estar?
Perguntarão os outros
Que no resto do ano são infelizes
Esses, apenas imploram ao menino Jesus
Um mundo p´ra eles melhor
E os saiba amar
Este será um outro natal, muito mais real
O natal dos desprotegidos da sociedade
Onde mora a verdade espiritual
Repleta de amor e solidariedad
De: Fernando Ramos
22.12.2006
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abril 18, 2012
758 - NATAL ABENÇOADO
NATAL ABENÇOADO
(soneto)
Em fartas mesas de iguarias deliciosas
A beira de lindas arvores iluminadas
Sentam-se gentes de bem, e famosas
Exibindo fartas opulências requintadas
O vizinho dum bairro ao lado
Que não tem tão boa mansão
De momento até está desempregado
Faltando a sua família um pouco de pão
Os outros, causadores desta infelicidade
Durante o ano esbanjam sua farta riqueza
Não se incomodando com tal precariedade
Esquecendo-se, que o vizinho é rico de amor
E que apesar de tanta pobreza
Seu natal é abençoado, p’lo Deus Senhor
De: Fernando Ramos
21.12.2006
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abril 16, 2012
757 - IDEAIS ESCONDIDOS
IDEAIS ESCONDIDOS
(soneto)
Tantos anos passaram pela minha vida
E os ideais se esconderam na solidão
Minha alma torturada andou perdida
Julgando viver um tempo de maldição
Hoje penso nesta triste loucura
Sentindo pena p’lo tempo vencido
Foram os anos de minha frescura
Restando apenas, o orgulho ferido
Malditos sejam meus ideais fugidos
Que um dia, por eles não soube lutar
Agora, os sinto de novo renascidos
Dentro de mim, para os bem guardar
Onde a mente, não mais os irá apagar
E o coração de novo, os saberá escutar
de: Fernando Ramos
20.12.2006
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756 - REGAÇO DE AMOR
REGAÇO DE AMOR
Bates à porta de meu peito.
E de coração aberto
Te recebo com ansiedade
Donde vens meu amor?
Ouves o grito das emoções
Da minha paixão sofrida
E da saudade que se perde
No silencio do vazio das noites
Da minha solidão calada
Onde imagino o suave rumor
De teus passos
E sinto o subtil sabor quente
De teus beijos
Ah! como foi bom tu chegares
E defronte dum espelho
Ver teu rosto junto do meu
Num aperto, onde nossos olhos
Se banham em desejos harmoniosos
Numa apoteose de felicidade
Como é bom beijar teus lábios
Numa sensualidade mundana
Sempre que meu coração apeteça
Unindo-se a um total prazer
Que enlaça nossos corpos
Na louca ânsia transbordada
Em doce e bela melodia,
Num clarão ardente de amor
E nossas bocas choram
A sede louca
Que devoram beijos em chamas
Levando-nos a gemidos
Nos anseios de nossos corpos
Que de amor, vêem e vão
Em paixão infinita
És um sol, chegado do céu
À porta de meu coração
E agora na tua pele perfumada
Guardo tudo de mim,
E adormeço no teu meloso
Regaço de amor
De: Fernando Ramos
19.12.2006
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abril 14, 2012
755 -PEDAÇOS DE MAGIA
PEDAÇOS DE MAGIA
O Natal chega e com ele a grande ilusão
Que ao fim de tantos anos ainda persiste
Num Pai natal, de saco vermelho de algodão
Cheio de esperança p’ra este mundo triste
Alguns acreditam que este velho existe
Especialmente em lares, de lauto festim
O homem da rua, ao natal já não assiste
Ele não aquece sua alma de cetim
O pobre não quer organdins, ouro ou pratas
Mas apenas aguarda por uma boa luz
P´ra que todos vivam de alegrias fartas
De riquezas, que a ele já não seduz
O ancião sente a desilusão embriagada
Estampada no rosto daquele coitado
Busca na sacola sonhos que afaga
O coração do pobre, no chão deitado
Natal assim não é natal de amor
E o homem de vermelho isso bem sabe
Ao infeliz se junta na sua dor
Tirando do saco alguma felicidade
O pobre sorri, por tanta bondade
E o velho das barbas transborda de alegria
Diz que do mundo irá embora a vaidade
Tornando as noites, bons pedaços de magia
De: Fernando Ramos
De: Fernando Ramos
17.12.2006
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abril 08, 2012
754 - MEU EU
MEU EU
No silencio da vida
Vivo com meu eu
Esse eu desconhecido
Que comigo troca ideias
E sua autoridade
nunca se perdeu
Pelos caminhos da vida
Da minha vida
Ele, é quem tudo digo
E tudo pergunto,
Até os segredos mais profundos
Mesmo num momento sofrido
O eu, que vive e se esconde
Dentro de mim
Ele é o meu melhor amigo,
Sempre o melhor amigo
Está presente quando mais preciso
Dele, não tenho vergonha
De fazer o que apetece
Ou dizer o que me vai na alma
Ele nada pergunta
Mesmo quando o caminho
Que piso não é o mais certeiro
O meu eu, está lá sempre
Até para aqueles momentos
Mais ou menos bons
O eu, é o meu Anjo da guarda
Obrigado, meu eu!
De: Fernando Ramos
16.12.2006
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abril 01, 2012
753 - COMO TRISTE É O NATAL PARA ALGUNS
COMO TRISTE É O NATAL PARA ALGUNS
Triste é o natal, quando nesta quadra
o faz de conta atinge seu esplendor
De repente, mais rápido que um comenta
Muitos se tornam simpáticos
Alguns, até se imaginam Santos
Oferecendo amizade, paz, pão,
e tanta ternura, não passando
de hipócritas carpideiras
Porque no resto do ano,
vão distribuindo indiferença,
egoísmo, e mais outros ismos,
até em alguns casos,
tirando tudo a quem mais precisa
Como triste é o natal desta gente,
que mais não fazem com estas súbitas
boas vontades senão pedir perdão
a eles próprios p’la hipocrisia
que vivem no seu dia a dia
Estarei errado?
Digam que estou errado,
e eles decerto
dormirão melhor!
De: Fernando Ramos
14.12.2006
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março 31, 2012
752 - MINHA SINFONIA
MINHA SINFONIA
Componho minha musica
Sentado num teimoso piano
E nele vou dedilhando as notas
Num prazer transcendental
Que me conforta a alma
Trazendo a clarividência
Necessária para aquela nota
Intima que teima não cair
Na tecla do velho piano
Será meu fracasso de inspiração
Se não conseguir compor
Minha obra, a minha pobre obra
Que p´la batuta de um maestro
Lhe dará vida numa orquestra
Com a força de todos os instrumentos
Que beberão o ritmo existente
Da minha insignificante sinfonia
Que numa entoação melodiosa
Vai suavizando a alma
De quem a sente
de Fernando Ramos
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março 25, 2012
751 - A AVE
A AVE
Gorjeia a ave,
no entardecer
que espera a lua
Seguindo um caminho
sem controle
Aguardando p’la noite
fria, e nua
Que em suas penas
será seu lençol
E na sua melancolia
sem norte
Esta ave solitária
procura um refugio,
no silencio da sua sorte
Donde, num poleiro
de estabilidade oportuna,
adormece com a orvalhada,
que não se compadece
da sua solidão nocturna
De: Fernando Ramos
12.12.2006
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março 20, 2012
750 - TRADICIONAL NATAL
TRADICIONAL NATAL
Jesus nasceu, p’ra nos amar
Do santo ventre de Maria
Bem longe, se ouviu o sino tocar
Anunciando a boa nova, em alegria
E o céu, p’los Anjos enviou recadinhos
Pró mundo, nesse Dezembro celestial
Enfeitam-se bonitos pinheirinhos
Em honra de Jesus, p’lo seu natal
Vieram pastores, e outras artes belas
Por longos caminhos, de noite e de dia
O mundo se uniu, e se acenderam velas
Em nome da paz, na mais pura magia
Hoje nas igrejas, observam-nos os Santos
Pejados de tanto amor celestial
Deus os enviou, com seus belos cantos
P’ra abençoarem o tradicional natal
De: Fernando Ramos
10.12.2006
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março 19, 2012
750 - MINHAS LOUCURAS - fado
MINHAS LOUCURAS
Entre abraços tanto amei
Entre bocas me perdi
Na luxúria de um beijo
Julguei as vezes que venci
Muitas vezes eu sorri
Outras,bem chorei
Pensando encontrar por aí
O beijo que procurei
E encontrei noutra boca
Minhas noites de orgia
Amando de forma louca
Belas mulheres em poesia
Teu beijo em outra boca
Tudo foi uma ilusão
P´ra mim nada disso valia
Fez sofrer meu coração
Porque eras tu que eu queria
Sou um corpo sem alma
Sem apetecer uma guarida
Agora sou gelo do mar
E no vai doce das ondas
Sou livre de navegar
Porque sem ti não tenho vida
Apenas loucuras de amar
de: Fernando Ramos
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749 - TRISTEZA DE AMOR
Tristeza de amor
No rosto cai a lágrima
No coração vem a dor
Na alma chega a tristeza
E a desilusão do amor
Dói Bem saber este pavor
Meu coração canta teu nome
Partiste sem rumo e chorei
Pedido a Deus p´ra que te ajude
Neste tempo triste de véus
Foi uma lança que entrou de mais
Choro gritando aos céus
P´ra que eu não sofra mais
De ti, nada eu sei
Pouco interessa isso a alguém
Mas a mim me cativou
Essa forma de ser bem
O teu motivo de viver
Esse que eu não sou
Deixa-me os dias frustrado
Por viver travesso fado
Sem escolha ou opção
Grandes conquistas vivi
Mas rendido a ti
Entrego meu pobre coração
No rosto cai a lágrima
No coração vem a dor
Na alma chega a tristeza
E a desilusão do amor
Dói Bem saber este pavor
de: Fernando Ramos
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março 08, 2012
748 - TEU NOME
TEU NOME
Direi teu nome sem devassa
E nunca será palavras vãs
Ele, em meu peito se enlaça
E, é meu sol p’las manhãs
Esse nome que eu adoro
Manter-se-á dentro de mim calado
Manuela, por dize-lo quase choro
Lágrimas de prazer reencontrado
Teu nome, é a esperança levada à cena
Dize-lo é um acto que não cansa
Mas estar contigo, valerá mais a pena
Porque assim o coração tanto amansa
És a boa razão do meu sonhar
E serás minha chama vida fora
Perdendo-te, quando meu final chegar
Quando esse esse momento vier na hora
De: Fernando Ramos
08.12.2006
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março 07, 2012
747 - RAZÕES SECRETAS
RAZÕES SECRETAS
Mulheres de tristes razões secretas
Aguardam à janela em orações completas
Que os Santos da procissão por ali passem
Abençoando-as como se de puras se tratassem
São exaltadas mulheres pecadoras
Com a malícia que as fizeram sonhadoras
Nas noites de todos os enlaços
Ansiando a felicidade em seus pedaços
Estas mulheres de suas ilusões escondidas
Entre a crença e a tentação vão divididas
Não sabendo p´ra onde caminha a razão
Aguardando às janelas o piadoso perdão
Que limpidamente o divino poderá conceder
P’ra que num céu de amor, não possam padecer
Desesperando seus corações p´la Santa chama
Erguendo suas almas, onde tudo se derrama
Bem longe de outras vidas geradas de incêndio
Percebendo que pecar será mau dispêndio
De: Fernando Ramos
07.12.2006
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março 04, 2012
746 - O BAILE DA VILA
746 - O BAILE DA VILA
Na vila, a festa vai ocorrer
E abrilhanta-se o baile de sábado
Pares se juntam a conviver
Pró pedaço gulosamente passado
É uma alegria contagiante
E outro baile assim não há
Por ali, a festa é estonteante
Dançando-se a salsa, a rumba e o chá, chá, chá
Os bailarinos, num frenesim sem parar
Vão prestando sua alegria à vila
E é vê-los dançar, dançar, dançar
Aplaudidos por gente que fazem fila
Dança o policia, e o carteiro
A dona de casa, e a sopeira
Dança a peixeira, mais o funileiro
O menino do coro, e a lavadeira
E num rodopiar harmonioso no palco
Um par de idosos mais afoito
Mostra num tango, sua perícia de estalo
Recebendo de todos uma nota oito
Ali, os dançantes bem se agitam
Naquela tarde de enorme esplendor
Crianças brincam, e outras gritam
P’la entrada no coreto, do artista cantor
Meninas casadoiras choram de alegria
E o imponente galã, para elas sorri
Há quem suspire, por uma fantasia
Sonhando que o cantor é só p´ra si
Toca a orquestra bem afinada
E o pátio inquietou-se num instante
Fica na cadeira, uma senhora encantada
P’la voz doce, do romantico cantante
É a loucura, tudo salta e dança
Numa alegria de deslumbrar
A tarde vai longa, e não cansa
Todos querem, é na vila dançar
É uma alegria contagiante
E outro baile assim não há
Por ali, a festa é estonteante
Dançando-se a salsa, a rumba e o chá, chá, chá
De: Fernando Ramos
06.12.206
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745 - SAUDADES DE AMORES
Teu rosto, é sonho meu já esquecido
Teus murmúrios, ainda guardo nos ouvidos
É um som que me vai deixando vencido
E na mente, resta apenas teus gemidos
Que os recordo tantas vezes em prantos
Na minha triste solidão atroz
São prazeres, amores e encantos
Tais momentos passados, quando sós
Desenhei teu nome em meu coração
Agora é poema nos troncos do arvoredo
São pedaços gravados de desilusão
Que só de lembrar sinto medo
E nas planícies de verde frescura
Procuro a linda flor vermelha açucena
Que a beijarei com toda ternura
Como a ti beijava de manhã serena
Hoje, vem o choro destas lembranças
Quando no campo olho as lindas flores
Que com elas enfeitava tuas tranças
Me resta agora a saudade desses amores
De: Fernando Ramos
5.12.2006
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fevereiro 29, 2012
744 - RIO DE AMARGURAS
RIO DE AMARGURAS
Sou um homem triste
Que hoje à beira do desconforto
Vê o rio de minha existência
Paulatinamente correr
Nele, vão todas as boas ilusões
Que a cada instante sinto latejar
E sempre me fizeram sonhar
É um rio, de bonitas
E boas recordações
Que em minha memória
Andarão sempre presentes
E viverão alegremente bailando
Sobre a sua vontade de existirem
Haja o que houver em todo
Este percurso, as boas
Lembranças proibirão
O esvaziar do pensamento
Elas, permanecerão gravadas
Em meu coração
Como bocados de bons desejos
Que em algumas situações
Mal foram cumpridos
Deixando a mágoa ir em busca
De um final feliz, o meu final
Que terminará na foz
Deste silencioso rio, de amarguras
de: Fernando Ramos
4.12.2006
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fevereiro 27, 2012
743 - JORNALISTA E O POETA
JORNALISTA E O POETA
Surgem palavras p’ra poemas
Ou noticias, na imaginação fértil
De quem as escreve
Elas, vêem cheias de acontecimentos
do nosso dia, a dia
Vão dando noticias do momento
Saídas p’la ponta do lápis de carvão
Registando-se cada facto nas silabas
Que vão garreando com ideias
Para o pensamento as deixar cair
Numa folha branca
Que faltará afinal?
Um elo, um rasto de informação
Para o criativo melhorar o que escreve?
Pobre do escritor, que p’la frente
Ou por detrás de uma máscara,
Por vezes não lhe ocorre
As palavras certas
O Poeta e o Jornalista
Luta, estrebucha, e para quê?
Se nas palavras está toda a verdade
Está lá tudo do pensamento humano
Sem uma única falha
Mesmo a inspiração fatigada
Essa inspiração que por vezes
Vem com o cansaço
De quem as que escreve
Mas elas, as palavras
Vão surgindo uma a uma
Pró escrivão, como uma poesia
De choros, onde lágrimas
São letras que anseiam p’lo final
do poema, ou da noticia
Que sairá num livro,
Ou num jornal do dia
Ó divino, como és generoso
E dás a razão, e certeza do saber
Ao jornalista, e ao inspirador
Numa mistura de ideias
Deixadas na folha de papel
Com a pequena diferença de inspiração
Entre o jornalista, e o poeta
De: Fernando Ramos
03.12.2006
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fevereiro 26, 2012
VEJO O PASSADO
VEJO O PASSADO
Olhando para o horizonte
Vejo o meu passado
Não sinto pena nem desgosto
Pelos momentos que já lá vão
E levados no sopro do vento
Encontrei amores e desamores
Encontrei a tristeza das dores
Encontrei dissabores
Que confundi com pesadas
Pedras que durante
Tanto tempo carreguei
E com lágrimas de solidão,
por vezes rolando por meus pecados
jamais parei
e jamais deixei de ir à luta
Agora, a minha vida
É apenas uma sombra
Desse passado que não escondo
E olhando p´ra trás
Observo o bem e o mal que fiz
E sei que no meio de dores e alegrias
tudo que fiz foi num caminho
de paixão desmedida
De: Fernando Ramos
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742 - DÉSPOTAS
Imaginam-se senhores esclarecidos
Julgam-se reis, e de todo poder
São apenas seres agressivos
Que a tantos, tantos dão mau viver
Senhores, que alguns são de guerra
Pensam serem iluminados p’lo divino
Enganam-se... Porque cá na terra
São simples déspotas pobres de tino
E na mais pura soberba arrogância
Anseiam por regimes de má memória
Elevam sua desmesurada ganância
Na esperança da eterna gloria
E tais déspotas incorrigíveis
Senhoreiam-se do que não lhes pertence
São ambições sempre apetecíveis
Que só os incautos convencem
Dizem-se espíritos cheios de clareza
Mas afinal são de pensamentos fechados
Sua ignorância, pró mundo são a tristeza
De ideologias feudais de séculos passados
De: Fernando Ramos
1.12.2006
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fevereiro 23, 2012
741 - CAOS
CAOS
Difícil este mau tempo que passa
Onde o destino, a alguns traça a miséria
Que é o extermínio que os enlaça
Sejam eles Brancos, ou outra cor
Que grassa neste planeta fértil
De pérfidos contrastes
Onde apenas importa, a sórdida ambição
De senhores, que não passam de trastes
É gente sem dó, nem coração
Chafurdando na mentira que mata
Em volta de mim olho, e o que vejo!
Caos, violência, decadência sem razão
Tenho apenas, um puro e simples desejo
De não viver nesta triste confusão
Já a mitologia, a história ou a lenda
Nos relata este mesmo percurso passado
Mas agora, não se sara a fenda
Dum pobre mundo tão mal venerado
Onde no seu luxuoso Palácio da vida
Alguns, na posse do ouro se tornam sinistros
Para quem sofre, e acalenta a esperança
Suplicando que o mundo gire em sistemas mistos
Para que piadosamente apenas recebam
A felicidade como herança
De: Fernando Ramos
30.11.2006
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fevereiro 22, 2012
740 - MINHA MÃE, MINHA TERRA
MINHA MÃE, MINHA TERRA
Vou indo para a minha terra
Por caminhos floridos de bom chão
À sua beira vou colhendo à mão
Lindas flores que perfumam a serra
Foi com amor que as plantei
E que a natureza regou
P’ra minha mãe as levarei
Preciosa oferta que Deus criou
São p’ra ela, que está gravida
Dum irmãozinho que vai nascer
E dum amor de tanto querer
Concedeu-lhe Deus bonita dávida
Quando chegar à minha aldeia
Grande festa irei fazer
Que se prolongará até à ceia
Com minha mãe, a me enternecer
A ela sempre amarei
Seu coração bem no fundo
E, à minha terra, sempre voltarei
Enquanto meu mundo, for mundo
De: Fernando Ramos
29.11.2006
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739 - ESPERO O AMANHÃ
ESPERO O AMANHÃ
Já nada me sobra deste tempo
Outra vida, melhor teria sido
Agora vou em meu passo lento
Calcando o passado já vencido
Apenas restam lamentações
Do meu mundo outrora sumido
Foram imensas as tentações
Aproveita-las, foi imerecido
Nova aurora p’ra mim aconteceu
Na adiantada idade que se some
Senti-la, meu corpo estremeceu
Agarrado ao futuro que consome
No meu difuso quebranto
A mente, ainda se encontra sã
E num emaranhado espanto
Serenamente espero, o amanhã
De: Fernando Ramos
28.11.2006
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fevereiro 21, 2012
738 - BRANCAS MORTALHAS
BRANCAS MORTALHAS
Surgem mortalhas p’ra corpos
São de algodão, e grosso corte
Vestem tantos sem sorte
Que deambulavam no pecado forte
Terminando assim, inertes e mortos
Irão p’ro céu? Não se sabe!
O inferno talvez seja o destino
Eram pecadores de pouco tino
Num lugar triste e pouco fino
Onde, o bom futuro lá não cabe
Agora, são almas sem regresso
Cobertas de mortalhas p’ra conforto
Cobrindo o corpo frio e morto
A caminho dum além, nascido torto
Que em vida não mereceram sucesso
Mas afinal, esperam-lhes o céu!
Num paraíso de paz celestial
São almas felizes, e é consensual
Que ir pró inferno, era irreal
Subiram ás nuvens, vestidos de véu
E as mortalhas foram-lhes retiradas
Daqueles corpos mal enfeitados
Deus perdoou tédios pecados
Abrindo sua porta, aos pobres coitados
Enlaçando-lhes felicidades desejadas
P’ra traz, ficaram tristes destinos
Foram embora as brancas mortalhas
Chegou paz, a espíritos sem malhas
Vividos em profundos meios de palhas
Que ansiavam por Anjos bem vindos
De: Fernando Ramos
28.11.2006
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fevereiro 08, 2012
737 - ESCREVO
ESCREVO
(soneto)
P’ra ti, escrevo de mil cuidados
Poemas de minha alvura
São pedaços de vida inspirados
Em palavras de breve cultura
Pensamentos deitados num livro
Que só p’ra ti, apenas para ti, editarei
Em palavras endoidecidas sem castigo
Que no meu coração são lei
Escrevo, e para ti rescrevo sem fim
Poesia de amor e emoção
São breves, e vão voando por aí
Buscando no vento, seu poiso manso
Que, se não encontrar cairão no chão
Mas escreverei na mesma, e não canso
De: Fernando Ramos
26.11.2006
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fevereiro 06, 2012
736 - VALE COLORIDO
VALE COLORIDO
No vale colorido, vejo a montanha ao longe
Sinto o cheiro das flores, e o voo das aves
Ouço o rio bem perto, correndo p’ra foz
O ar é doce, e desliza vagarosamente
Enchendo-me de caricias perfumadas
Olho o céu, e vejo vagas
De nuvens que correm
P’ra noite que se aproxima no entardecer
E naquele vale de mil prazeres
Penso nos outros
Que estão mais sós do que eu
No seu desencontro com a vida
Vivendo num enorme tédio fatal
E eu, aqui tão bem acompanhado
P’la natureza, aguardando apenas
A passagem deste meu tempo
E a porta de meu coração se escâncara
Para receber o sublime prazer
De tudo que me rodeia
Parece um conto de fadas
Este meu presente, mas...
Apenas não passa de um sonho!
Um sonho que terminou
No preciso momento
Que a realidade presente me alerta
Para o mundo em que se vive
Que me retira esta guloseima de bom viver
Pobre mundo...
Que estúpida é a tua incerteza!
O desespero bate forte em muitas vidas
Que não conhecem este meu sonho
do vale colorido,
Nem verseja as floridas minhas imagens
De: Fernando Ramos
24.11.2006
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janeiro 27, 2012
735 - ROSTO BRANCO COMO NEVE
ROSTO BRANCO COMO NEVE
Aprecio teu rosto num pergaminho
E como bonito fica o desenhar
Ao olha-lo, vejo-me num caminho
Que um dia, nos irá levar ao altar
Esse rosto, é fino como as açucenas
Que na primavera vão desabrochar
E tão leve como as penas
Dum colibri a despontar
Teu rosto branco como neve
De tanta singeleza sem igual
Em meu coração ele escreve
A sua beleza natural
Ao querer beijá-lo, ouço violinos
Numa orquestra bem afinada
Em acordes místicos e divinos
Gravando-os na alma enamorada
Sua enorme beleza celeste
Que acalenta o meu amar
Traz boa auréola, que veste
O dia, que iremos casar
Faz-me seu fiel escravo
E meus lábios nele pensam
No seu sabor de bom travo
Que p’ra mim é uma benção
Der: Fernando Ramos
23.11.2006
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janeiro 26, 2012
734 - VENTOS DA PRAIA
VENTOS DA PRAIA
Quero fugir da solidão
Aproveitando os ventos da praia
Eles beijam o mar chão
Na crista da onda catraia
Os ventos são boa companhia
Nas vagas do mar salgado
Seu sopro não dá nostalgia
E p’la água, sei que é escutado
Deliciam a onda boa
Na esperança que se enamora
No oceano não sopram à toa
Em velas que aguardam a hora
A praia espera por mim
E só o vento me vai lá levar
Chegarei vestido de cetim
Pelas brandas marés, ao raiar
De: Fernando Ramos
22.11.2006
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janeiro 24, 2012
733 - TRISTEZA QUE PERSEGUE
TRISTEZA QUE PERSEGUE
É infinita a tristeza
Que amarra tanto tormento
Não vai embora sua firmeza
Só a solidão, é seu sustento
Ela faz muito padecer
Na dor que não termina
É companheira de mau viver
Em destinos que desencaminha
Sua voz intima de dor
Deixa a alma em pedaços
Tem a morte como horror
E infernos consumados
Vale a coragem do ser humano
Para voltear tal sofrimento
Vivem, com ela no desengano
Que já não gemem seu lamento
Tristeza, porque persegues
Vais num caminho sem volta
Não vês que só tu consegues
Levares corações à revolta
Um dia chegará teu final
Aí, findará o desassossego
Será um paraíso sem igual
Ninguém sentirá mais medo
De: Fernando Ramos
20.11.2006
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janeiro 20, 2012
732 - SOPRO DO VENTO
O SOPRO DO VENDO
Vão embalados no sopro do vento
Buscando um amanhã glorioso
De noite, olham as estrelas ao relento
No seu brilho rebelde e preguiçoso
Os homens, aguardam delas bom sinal
Que a seu olhar leva tempo a chegar
Cintilando as estrelas, cores sem igual
Enfeitando-se ao vento para encantar
E nesse precioso deslumbrar
Os homens lá vêem o futuro almejado
Como poemas de tanto sonhar
Que aguardam das estrelas terno brilhar
E lindas mulheres de deslumbrar
Se escondem através duma vidraça
Aguardando com eles, um dia casar
Mesmo que o vento, se desfaça
E, a cor das estrelas passa a ouro
Por tão feliz, e oportuna alegria
Guardando elas, nos corações este tesouro
Que lhes ofertará, longa vida em magia
De: Fernando Ramos
12.11.2006
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731 - BEIJOS GUARDADOS NO BAÚ
BEIJOS GUARDADOS NO BAÚ
(soneto)
Guardo teus beijos num baú
Eles são minha razão de existir
Por vezes vou lá buscar um
Por me ser difícil resistir
São o bem mais precioso
Que me acalenta o coração
Esses beijos de amor gostoso
Que saboreio com emoção
O baú, deles está repleto
E quando lá vou, vou feliz
Roubar um beijo indiscreto
P’ra meu amor calar o desejo
Senão, ficará infeliz
Por teus lábios, que tanto almejo
De: Fernando Ramos
13.11.2006
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janeiro 18, 2012
730 - DANÇA DA CHUVA
DANÇA DA CHUVA
Cai a chuva, do agreste Inverno
Numa dança de pingos descoordenados
Inundando campos, que é um inferno
P’ra tantos seres desatinados
Essas águas impuras até doer
Causam dramas a gente desesperada
Vêem os bens, na corrente desaparecer
Levando-lhes uma vida, na enxurrada
E esta catástrofe de enlouquecer
Está na mão do homem, como é natural
Ele é o culpado, por tal suceder
Numa vergonhosa atitude irracional
Esta dança, de chuva fria
Traz a companhia do forte vento
Bailando pingos de noite, e dia
Que para a terra, é seu sustento
Na ruidosa tempestade invernosa
Escuta-se o vento a falar à chuva
Pedindo ao tempo sua mão bondosa
Pró sol aparecer, leve como a luva
Nos campos, encharcados de fria água
Que oferecem à vida, um bom seleiro
Vai desaparecendo a triste mágoa
Em corações dum tempo companheiro
De: Fernando Ramos
12.11.2006
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janeiro 05, 2012
729 - BONITO
BONITO
O bom sentimento, que vem
Do nosso interior
É tão bonito como um sorriso
Ou como o brilhozinho dos olhos
De alguém apaixonado
Tão bonito, como bonito
É o sol que nos ilumina
Até nos momentos menos bons
Ou como aqueles
Pedaços de felicidade
Que nos enchem a alma
Quando somos úteis para alguém
Que por vezes não vai
No bom sentido da vida
Bonito, é olhar o céu
E dar-mos graças a Deus
Por tudo que vai proporcionando
No nosso dia, a dia
Como a saúde, ou a sorte
De termos alguém que
Nos ama, e podemos amar
Ou ter a felicidade de olhar
Um pôr de sol no entardecer
Bonito é gostarmos de viver
De bem com nós próprios,
Gostarmos dos outros
Com a mesma intensidade
Que Deus gosta de nós.
De: Fernando Ramos
10.11.2006
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728 - O REGRESSO DA LUA
O REGRESSO DA LUA
(soneto)
No breu da noite profunda
Entre madrugadas de sono
Surge a sombra vagabunda
Alertar que houve um abandono
Foi a lua das noites boas
Que no firmamento se perdeu
Deixando triste tantas pessoas
Que por ela o amor conheceu
E naquela triste desilusão
Já mora a velha ansiedade
Chorando-se no silencio da emoção
E a Lua, de novo voltou
P’ra outras noites de felicidade
P´ra quem de saudade chorou
de: Fernando Ramos
8.11.2006
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