janeiro 27, 2012

735 - ROSTO BRANCO COMO NEVE

ROSTO BRANCO.jpg

ROSTO BRANCO COMO NEVE

Aprecio teu rosto num pergaminho
E como bonito fica o desenhar
Ao olha-lo, vejo-me num caminho
Que um dia, nos irá levar ao altar

Esse rosto, é fino como as açucenas
Que na primavera vão desabrochar
E tão leve como as penas
Dum colibri a despontar

Teu rosto branco como neve
De tanta singeleza sem igual
Em meu coração ele escreve
A sua beleza natural

Ao querer beijá-lo, ouço violinos
Numa orquestra bem afinada
Em acordes místicos e divinos
Gravando-os na alma enamorada

Sua enorme beleza celeste
Que acalenta o meu amar
Traz boa auréola, que veste
O dia, que iremos casar

Faz-me seu fiel escravo
E meus lábios nele pensam
No seu sabor de bom travo
Que p’ra mim é uma benção

Der: Fernando Ramos
23.11.2006


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janeiro 26, 2012

734 - VENTOS DA PRAIA

MAR-2.JPG

VENTOS DA PRAIA

Quero fugir da solidão
Aproveitando os ventos da praia
Eles beijam o mar chão
Na crista da onda catraia

Os ventos são boa companhia
Nas vagas do mar salgado
Seu sopro não dá nostalgia
E p’la água, sei que é escutado

Deliciam a onda boa
Na esperança que se enamora
No oceano não sopram à toa
Em velas que aguardam a hora

A praia espera por mim
E só o vento me vai lá levar
Chegarei vestido de cetim
Pelas brandas marés, ao raiar

De: Fernando Ramos
22.11.2006

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janeiro 24, 2012

733 - TRISTEZA QUE PERSEGUE

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TRISTEZA QUE PERSEGUE

É infinita a tristeza
Que amarra tanto tormento
Não vai embora sua firmeza
Só a solidão, é seu sustento

Ela faz muito padecer
Na dor que não termina
É companheira de mau viver
Em destinos que desencaminha

Sua voz intima de dor
Deixa a alma em pedaços
Tem a morte como horror
E infernos consumados

Vale a coragem do ser humano
Para voltear tal sofrimento
Vivem, com ela no desengano
Que já não gemem seu lamento

Tristeza, porque persegues
Vais num caminho sem volta
Não vês que só tu consegues
Levares corações à revolta

Um dia chegará teu final
Aí, findará o desassossego
Será um paraíso sem igual
Ninguém sentirá mais medo

De: Fernando Ramos
20.11.2006

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janeiro 20, 2012

732 - SOPRO DO VENTO

vento-11.bmp

O SOPRO DO VENDO

Vão embalados no sopro do vento
Buscando um amanhã glorioso
De noite, olham as estrelas ao relento
No seu brilho rebelde e preguiçoso

Os homens, aguardam delas bom sinal
Que a seu olhar leva tempo a chegar
Cintilando as estrelas, cores sem igual
Enfeitando-se ao vento para encantar

E nesse precioso deslumbrar
Os homens lá vêem o futuro almejado
Como poemas de tanto sonhar
Que aguardam das estrelas terno brilhar

E lindas mulheres de deslumbrar
Se escondem através duma vidraça
Aguardando com eles, um dia casar
Mesmo que o vento, se desfaça

E, a cor das estrelas passa a ouro
Por tão feliz, e oportuna alegria
Guardando elas, nos corações este tesouro
Que lhes ofertará, longa vida em magia

De: Fernando Ramos
12.11.2006

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731 - BEIJOS GUARDADOS NO BAÚ

BEIJO.JPG

BEIJOS GUARDADOS NO BAÚ
(soneto)

Guardo teus beijos num baú
Eles são minha razão de existir
Por vezes vou lá buscar um
Por me ser difícil resistir

São o bem mais precioso
Que me acalenta o coração
Esses beijos de amor gostoso
Que saboreio com emoção

O baú, deles está repleto
E quando lá vou, vou feliz
Roubar um beijo indiscreto

P’ra meu amor calar o desejo
Senão, ficará infeliz
Por teus lábios, que tanto almejo

De: Fernando Ramos
13.11.2006

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janeiro 18, 2012

730 - DANÇA DA CHUVA

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DANÇA DA CHUVA

Cai a chuva, do agreste Inverno
Numa dança de pingos descoordenados
Inundando campos, que é um inferno
P’ra tantos seres desatinados

Essas águas impuras até doer
Causam dramas a gente desesperada
Vêem os bens, na corrente desaparecer
Levando-lhes uma vida, na enxurrada

E esta catástrofe de enlouquecer
Está na mão do homem, como é natural
Ele é o culpado, por tal suceder
Numa vergonhosa atitude irracional

Esta dança, de chuva fria
Traz a companhia do forte vento
Bailando pingos de noite, e dia
Que para a terra, é seu sustento

Na ruidosa tempestade invernosa
Escuta-se o vento a falar à chuva
Pedindo ao tempo sua mão bondosa
Pró sol aparecer, leve como a luva

Nos campos, encharcados de fria água
Que oferecem à vida, um bom seleiro
Vai desaparecendo a triste mágoa
Em corações dum tempo companheiro

De: Fernando Ramos
12.11.2006

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janeiro 05, 2012

729 - BONITO

aeolica-11.jpg

BONITO

O bom sentimento, que vem
Do nosso interior
É tão bonito como um sorriso
Ou como o brilhozinho dos olhos
De alguém apaixonado

Tão bonito, como bonito
É o sol que nos ilumina
Até nos momentos menos bons
Ou como aqueles
Pedaços de felicidade
Que nos enchem a alma
Quando somos úteis para alguém
Que por vezes não vai
No bom sentido da vida

Bonito, é olhar o céu
E dar-mos graças a Deus
Por tudo que vai proporcionando
No nosso dia, a dia
Como a saúde, ou a sorte
De termos alguém que
Nos ama, e podemos amar
Ou ter a felicidade de olhar
Um pôr de sol no entardecer

Bonito é gostarmos de viver
De bem com nós próprios,
Gostarmos dos outros
Com a mesma intensidade
Que Deus gosta de nós.

De: Fernando Ramos
10.11.2006

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728 - O REGRESSO DA LUA

lua e ponte.jpg

O REGRESSO DA LUA
(soneto)

No breu da noite profunda
Entre madrugadas de sono
Surge a sombra vagabunda
Alertar que houve um abandono

Foi a lua das noites boas
Que no firmamento se perdeu
Deixando triste tantas pessoas
Que por ela o amor conheceu

E naquela triste desilusão
Já mora a velha ansiedade
Chorando-se no silencio da emoção

E a Lua, de novo voltou
P’ra outras noites de felicidade
P´ra quem de saudade chorou

de: Fernando Ramos
8.11.2006


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janeiro 04, 2012

727 - VIELA DOS NAMORADOS

fadista-campino.jpg

VIELA DOS NAMORADOS

Trinai, trinai guitarras velhinhas
Fados da castiça cidade
O povo suplica com ansiedade
O perdão de Deus, nas capelinhas

E gargantas de bem cantar
Entoam poemas de vida e amor
Acalentando a saudade, e a dor
De peitos sofridos por amar

E na voz generosa dos fadistas
Geme a solidão fértil e bizarra
Que nos acordes da velha guitarra
Comovem o povo e os guitarristas

Ouvem-se murmúrios ao coração
Vindos da viela dos namorados
Anunciando o perdão aos bocados
Em poemas de saudade e emoção

Cantai, cantai nossos artistas
O perdão p´la poesia dos poetas
Inspirada nas descobertas
P’ra deleite dos brilhantes fadistas

Tocai, tocai, noite e dia
Guitarristas do nosso povo
Fadistas cantai um fado novo
P´ra vidas parcas de alegria

E na viela dos namorados bairristas
Deus, concedeu perdão em boa hora
O pecado partiu dali p’ra fora
Trinando as guitarras dos fadistas

De: Fernando Ramos
7.11.2006

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dezembro 26, 2011

726 - O LIVRO

livro e luvas.jpg

O LIVRO

O livro, é um belo tesouro
Quando lido com excitação
Tem pedaços de puro ouro
Que pró escritor, é paixão

Lê-lo, é um gosto bem aceite
Esgotando-nos de prazer
Rico em frases de lindo enfeite
Compostas de bem saber

É imaginação, e entretenimento
Que se ensaia nos bastidores
Dá-nos gozo e conhecimento
Completando nossos valores

O livro bom é comprado
Como tributo ao pensador
É relido, e bem guardado
P’ra deleite do escritor

De: Fernando Ramos
5.11.2006


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dezembro 25, 2011

725 - FAINA SOLITÁRIA

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FAINA SOLITÁRIA

Vai o pescador devagarinho
No rio onde a vaga é de graça
Navega num bote pequenino
Nas margens o povo o abraça

O barquinho de madeira
É também seu doce lar
Passa junto duma traineira
Onde o mestre lhe vai acenar

Das margens vem a pergunta
“Ó mestre p’ra onde vais?”
Olha que o bote a ti se junta
Leva a traineira p’ro cais

Seu bote é muito pobre
Mas rico de bons momentos
O rio, ao pescador sacia a fome
Nele pesca seus alimentos

E lá vai o bote de mansinho
P’ra a sua pesca diária
Num local bem pertinho
Onde a faina é solitária

De: Fernando Ramos
04.11.2006

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dezembro 12, 2011

724 - AFRICA DO MEU AMOR

AFRICA.JPG

AFRICA DO MEU AMOR

Nos meus tempos de soldado
Procurei a paz dos honestos
Na África do meu amor
Ali na terra vermelha e fértil
Da savana Africana

Nas margens dos rios
De todas as ofertas da natureza,
Os animais buscam sua presa
A fim de saciarem a fome
Como se ali fosse a única
Parte do mundo onde Deus passou
Deixando um rasto de beleza
E de perfume celestial
Naquelas terras que fazem bater
Mais forte os corações de todos

Por vezes numa aldeia qualquer
Duma terra Africana
Ao som do velho batuque
Meninas de lábios gulosos
E meninos de modos de desejo
Bailavam como se aquela
Fosse a última dança
A dança do resto de suas vidas
Na esperança que a paz,
A paz dos justos,
Voltasse a esse lugar sagrado
Onde os homens são mais irmãos

Tudo isto me encanta
E tudo isto me marcou
Porque lá, há sempre alguem
Que nos mostra que naquele meio
Ainda vale a pena sorrir
Enchendo-nos o coração de ternura
Recordando eu, hoje e sempre
Com satisfação e orgulho
Esta África do meu amor

de: Fernando Ramos
3.11.2006

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dezembro 02, 2011

VESTIDOS DE CHITA

VESTIDOS DE CHITA

Na minha casa nova
Construída na rua velhinha
Tenho lá um livro da moda
Que o guardo na escrivaninha

Dele, retirei boas ideias
Para fazer vestidos de chita
Coloridos com flores
Em cores que incendeiam
Que me deixam elegante e bonita

Com ele pela rua passeio
Em total e feliz liberdade
Subo a calçada que calcorreio
Ouvindo piropos dos homens
Da minha bela cidade

E feliz vou de chita vestida
Calçada abaixo, e calçada acima
Os homens sorriem por ir tão catita
Que me tornam vaidosa
Da minha chita

de Fernando Ramos

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novembro 30, 2011

723 - OS PUTOS DE ALVALADE

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OS PUTOS DE ALVALADE

Eram os Índios do bate bola
Jogavam até de madrugada
Enganavam o estômago
E não corriam de cartola
Brincavam descalços na estrada

Outros, não eram índios de bola
E no Vává, falavam de amores
Também jogavam, calçados de sola
Alguns são poetas, e bons cantores

Os putos indios de forma desprendida
Chutavam a bola pelos cantos
Num chão batido, com pés em ferida
Parecendo pardais, pois eram tantos

E estes miudos do bairro de Alvalade
Todos os dias jogavam à bola
Numa irmandade de feliz vontade
Marcavam golos de alta escola

Hoje, os índios, já lá não estão
E como era tão bonito vê-los correr
Nos bolsos não guardavem tostão
Mas sim muita vontade de vencer

Por vezes, num drible de mestre
Alguns saiam de sua pobreza
Os outros, de vida menos agreste
Eram amigos na sua tristeza

E na boa vontade de Deus
Os putos entre eles jogavam
Uns pobres, outros de dinheiros seus
Mas o futebol, a vida a todos ensinava

Estas crianças, leves como a pena
Pela brincadeira não se perdia
Em dias e noites era a bela cena
Vê-los no bairro jogar de alegria

De: Fernando Ramos
2.11.2006

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novembro 29, 2011

722 - BECO DO BEM SABER

alfama-1-2006.jpg

BECO DO BEM SABER

No beco do bem saber
Ivone leva tristeza no coração
Que de olhos colados ao chão
Murmura p’lo seu tanto querer
Na pura e cristalina aflição

E no parapeito de sua janela
Sente-se a frescura do alecrim
Todos o cheiram com cautela
Não passe seu amor por ali
Ao encontro da outra, na viela

No Beco, se abrem janelas
P’ra anunciar a procissão
Alguém com flores amarelas
Informa o povo da decisão
Preparada p’lo prior,
À noite à luz das velas

Para a bendita procissão
O Beco se vai engalanar
Ivone, reza sua consternação
Ao amor que anda a enganar
Seu pobre e infeliz coração

Foi no domingo à tardinha
A procissão levou o povo p’ra rua
No andor pousa uma andorinha
Que traz a verdade nua e crua
P’ra Ivone que vai à igreja velhinha

E gorjeia que a outra está chorosa
Por lhe ter acontecido o mesmo drama
Foi enganada de maneira horrorosa
P’lo homem que a levou p’ra cama
Causando-lhe aflição dolorosa

E naquele afamado bairro de Alfama
Um amor perdido encontrou a razão
Pois é Ivone, a sua preciosa Dama
Que lhe preenche o doido coração

Na velha igreja junto ao altar
Lá estava a mentira desgostosa
Chorando a lágrima do perdão
Suplicando nova vida amorosa

Tudo não passava de sua ilusão
E no Beco, se acendeu nova chama
P’ra felicidade de um coração
É Ivone que ele muito ama
Terminando ali sua confusão

de: Fernando Ramos
1.11.2006


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novembro 24, 2011

721 - DESERTO DE MEDOS

Deserto.jpg

DESERTO DE MEDOS

Atravesso o Deserto
Como se fosse em peregrinação
À terra prometida
Ele, é a minha esperança,
E também o meu cansaço
Nele, vou encontrando
Nuvens de areia
Que são grãos finos instalando-se
Na minha vida repleta
De ilusões, e de amores
Não conseguidos

Neste deserto, levo a esperança
Como única companheira
E como minha ancora
Que me irá fazer parar na caminhada
E terminar com os
Generosos dissabores da vida

Percorro seu chão escaldante
E tão movediço como meus sonhos
que me corrói de dor, de rejeição
De abandono, e da perda
De paz, a minha paz
Maldito deserto que não consolas
Esta sede de esperança,
E me levas para um caminho
Sem direcção certa,
E de futuro pouco brilhante

Agora, neste mau deserto
Aguardo apenas o sinal de Deus
Que me irá conduzir na sua nuvem
Sem desespero, e sem mágoa
Mas encharcada na paz divina
Onde me levará a juntar
A outros peregrinos
Também eles vivendo
Num deserto de medos
E que comigo caminharão
Lado, a lado na nova travessia,
Direito à esperança celestial

De: Fernando Ramos
30.10.2006

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novembro 23, 2011

720 - A CEIA

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A CEIA

A vida será um repasto
De óptimas iguarias
Servida em farto prato
Alimenta-nos os dias

Dá ceia bem confeccionada
Que bem nos delicia, ou não
Porque se for mal temperada
Tudo não passará de ilusão

É um repasto que se serve
Mas por vezes, dá confusão
Se for bom momento que se perde
Dará má digestão

E antes que nos faça mal
Tem de ser bem preparada
A vida à noite não é ceia total
Se cozinhada em água salgada

De: Fernando Ramos
29.10.2006

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novembro 11, 2011

719 - BOTE DE VELAS QUEBRADAS

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BOTE DE VELAS QUEBRADAS

O bote desliza no mar salgado
Por ondas valiosas como ouro em pó
E um pescador de rosto enrugado
Olha as redes, fazendo-lhe dó

São tristezas salpicadas de choro
Naquele seu mar, a poente
Ali o peixe é pouco, e não é ouro
Já outras fainas o deixavam contente

E no seu bote de velas quebradas
O pobre mestre insiste na pescaria
Enclausurado naquele mar talhado
Pede a Deus uma faina de alegria

Embalado p’lo sopro do vento
Vai amaldiçoando sua má pesca
Por isso, Deus não lhe dá alento
Vai ele pecando à faina que resta

Seu Senhor, o arrependimento não ouve
De seus pecados já cometidos
Não mostrou pena, e Deus soube
Não havendo mais, já tempos idos

De: Fernando Ramos
28.10.2006

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novembro 05, 2011

718 - A VIDA ESPANTA-SE

A VIDA ESPANTA-SE
(soneto)

Dão-nos castigos, ásperos, e ferozes
Vem a dor, e o grito da alma
Surge a bomba, em tarde calma
Chora o mundo, o feito dos algozes

O silêncio dos justos é perturbado
A paz estremece, mas não cai
Uma criança, p’ra sua mãe já não vai
A solidariedade e o amor, foi baleado

Foram ordens do chantagista!
Que o homem bomba respeitou
É um acto cobarde, de mau artista

Lá fora... O mundo levanta-se
O terrorismo estúpido não ganhou
A própria vida, espanta-se!

De: Fernando Ramos
27.10.2006

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outubro 26, 2011

717 - ESPERANÇA NO AMOR

ESPERANÇA NO AMOR
(soneto)

Olhei p’ra dentro de mim
Vi um torvelinho de sentimentos
Esperando por amor sem fim
Rodeando meus pensamentos

E no céu apareceu um sol
Dizendo p’ra ter esperança
Ele agora é o meu farol
Que me trouxe bonança

Fiz uma espera sem fim
P’lo amor, sem tormentos
E ele, não apareceu por aí

De longe olho p’ra estrela
Lembrando esses momentos
Agora a esperança, nem vê-la

De: Fernando Ramos
24.10.2006

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outubro 24, 2011

716 - BUSCANDO O IMPOSSIVEL

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BUSCANDO O IMPOSSIVEL

No ambiente que hoje vivemos
Algumas verdades
Se dizem e comentam
Como se fossem o símbolo
Da certeza e da razão
Mesmo que não seja a verdade crua
Prometem-se perfeitos caminhos
Muito bem asfaltados e rodeados
De beleza que dá prazer aos olhos
Mesmo que um, apenas um
De terra batida e de beira agreste
Nos leve ao paraíso do Divino

Busca-se a beleza eterna,
Gastando-se enormes quantias
Mas essa beleza,
É apenas breve e rápida
Tão rápida que nem se dá p’lo tempo

Corre-se atrás do sucesso
A qualquer preço,
Nem que seja aparente
Ou que se consiga à custa de outros
Pisando seus semelhantes
Sem qualquer despudor e respeito
Procura-se ambientes felizes,
Onde se prometem a paz,
Descanso total,
E bem estar p'ra sempre
Em países maravilhosos
Mas no fim alguns
São pobres de cultura,
Pão, e justiça

Querem-se amigos, a qualquer custo
Alguns por interesses muito duvidosos,
Mas esses só aparecem
Em locais de glamour
Os verdadeiros amigos, são muito poucos
Contam-se p’los dedos
E um dia, esses
Lá estarão na nossa partida

Anseia-se por bons empregos,
Carros, mulheres lindas
Ou homens charmosos,
Objectos valiosos
Mas coitados...
Pobres de valor humano
Procura-se sempre o máximo,
O melhor, o paraíso na terra
Esquecendo-se todos nós
Que o que se busca
Na corrida louca diária
E com tanta ansiedade,
Raramente se consegue,
Ou mesmo nunca se alcança
Enfim... somos uns tolos

de: Fernando Ramos
24.10.2006


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outubro 21, 2011

715 - MINHA MÃE MARIA

MINHA MÃE MARIA

Minha mãe Maria
Que meu sangue laças
Estás gravada em meu rosto
Bendita foste a mulher
Que este filho deste à luz
És a mãe abençoada por Deus
E dos meus desejos sonhadores
Agora e sempre, até morrer

De: Fernando Ramos
29.10.2006

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outubro 15, 2011

714 - LÁBIOS DO MEU AMOR

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LÁBIOS DO MEU AMOR
(soneto)

Estou entregue à saudade
Dos lábios de meu amor
Beijavam-me com voluptuosidade
Enlouquecendo os meus, de furor

Partiram, e fiquei só
Perdi seu doce sabor
De mim não tenham dó
Sou culpado, recebo a dor

Eles são tão sensuais
Agora já não são meus
Perdi valiosos cristais

Apenas resta-me a lembrança
E ensaio um final adeus
Dos lábios da minha insegurança

De: Fernando Ramos
22.10.2005

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713 - ANOS DE MIL E QUINHENTOS

caravela-33.bmp

ANOS DE MIL E QUINHENTOS
(soneto)

Em ondas caprichosas navegavam
Homens de enorme valentia
Num mar salgado se entregavam
Ao vento forte, e ao de calmaria

E nesse vai-vem ondular
Musas encontravam de passagem
Um poeta lhes dizia, ir capitanear
A Nau que levava gente de coragem

Iam p’ra terras longínquas
Buscar ouro e organdins
Já de descobertas sabidas

Dum país pequeno, e de crentes
Donos das terras lá dos confins
Em anos de mil e quinhentos

de: Fernando Ramos
21.10.2006

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outubro 13, 2011

712 - LIRIOS CHARMOSOS

lirios-1.jpg

LIRIOS CHARMOSOS

Percorro a estrada, em fadiga
Olhando os lírios amarelos na sua beira
São de beleza tão apetecida
Buscando a esperança, que se esgueira

E neste pensamento estonteante
Surge a lágrima em meu rosto
Caindo-me a tristeza alucinante
P’ra meu total desgosto

Os lírios não são minha adoração
E nem trazem colorida redenção
Vê-los, alegram-me o coração
Já cansado, velho, e sem ilusão

E no final, da minha vida vencida
Sorriu aos lírios charmosos
Que presentearam alegria sentida
Aos meus caminhos espinhosos

De: Fernando Ramos
19.10.2006


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outubro 12, 2011

711 - SEI DE ONDE VIM

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SEI DE ONDE VIM

Eu bem sei de onde vim
Mas não saberei p’ra onde parto
Vim dum lugar bonito, sim
Será que irei p’ra um lugar farto?
Sei muito bem de onde vim
Dum pais de grandes senhores
Não julgue que foi por aí
É dum lugar de bons valores

Sou daqui e do mundo
E não do diabo a quatro
Esse, é de desgosto profundo
Onde a vida é um teatro
Meu lugar, é de todo lado
Do mundo, da arte, e da vida
Está no destino escriturado
Até, meu dia da partida

Sabem afinal de onde vim?
Sou filho do criador
Minha pátria é esta aqui
Onde nasci de muito amor

De: Fernando Ramos
18.10.2006

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outubro 11, 2011

710 - A VOLTA DO MENDIGO

BEBADOS.JPG

A VOLTA DO MENDIGO

Pela rua deserta
O mendigo vai perambulando
Em busca de um refugio
Que o protegerá do frio
E que o confortará,
No fim da sua volta de espinhos
Que o levou p’los
Caminhos habituais

Sua mão leva a desgraça
Que num abrir e fechar
Deixa-lhe a vida vazia de nada
Ele é o alcoólico
Que a sociedade construiu
E com o passar dos anos
Sua alma se encarregou de destruir

Numa passada lenta
Vai resmungão
Com a garrafa vazia do néctar
De seu bem estar
Que bem dele precisava
P’rá noite triste e gélida
Pensando, que só o Deus Baco
O poderá ajudar
Daquela vida boémia e cruel

Ele já pouco se importa
As mágoas são banhadas
No liquido da maldita garrafa
Agora tristemente vazia
Ó pobre destino
Porque és tão severo
Pró triste mendigo
Que na sua vida,
Apenas tem sido
teu simples servo

de: Fernando Ramos
17.10.2006

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outubro 04, 2011

709 - TUA AUSÊNCIA

mulher 420.jpg

TUA AUSÊNCIA

Vou observando teus silêncios
E neles vou encontrando
o que procuro
São desejos dos teus perfumes,
Do teu olhar, do teu sorriso,
E dos nossos fins de tarde

No jardim próximo de nossa casa
Quando olhávamos o escapar do sol
Envolvendo-se no horizonte
Observo teus silêncios
Neles vejo minha alma
Que se vai lambuzando
Em recordações de teu amor
Que me oferecias nessas tardes
De céu azul e quente,
Tão quente como meu coração
E de todas as verdades,
As nossas verdades

Nesse teu silêncio, que seduz
E me encanta
Revejo a cumplicidade
Num gozo, que era a nossa total paixão
Como se fosse uma tontice adolescente
Como tantas outras
Que por nossos puros momento passaram
Agora, apenas resta teus silêncios
E tua ausência
Que me cortam a saudade empregnada
Das tuas fragrâncias que agora vêem
Das estrelas que me observam,
E eu aqui só
No jardim das nossas verdades
E também da minha tristeza

de: Fernando Ramos
15.10.2006

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setembro 30, 2011

708 - JARDIM DE CRAVOS

JARDIM DE CRAVOS

(soneto)

És o sol, e água da vida
Que todos os dias almejo
Abasteces-me a alma sofrida
Que de ti, sente tanto desejo

És um mundo que gira só p’ra mim
E alegria do nosso jardim de cravos
Meu coração, agora vagueia por aí
Bebendo tua ausência aos tragos

És tudo p’ra mim, meu amor
Solta de meu peito, a vil dor
Tua saída na vida foi um acaso

Sei que desejas com furor
Voltares ao jardim de esplendor
Abraçando o amor no seu pedaço

De: Fernando Ramos
16.10.2006

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setembro 28, 2011

707 - SEREI COMO UM CONDOR LIVRE

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SEREI COMO UM CONDOR LIVRE

Serei como um condor livre
Voando de copa em copa
Ouvindo o rugido do tigre
Busca a presa, viva ou morta

E voarei p’los brilhantes céus
Acenando à vida, e à natureza
Avistarei mulheres de negros véus
Das guerras que lhes trazem tristeza

E assim serei tão livre
Mas da maldade terei de fugir
Voarei nas nuvens que não obrigue
Desta vida, ter de me despedir

Quero ser como o Condor
Buscando minha liberdade
Num mundo que não haja dor
P’ra não sentir infelicidade

De: Fernando Ramos
14.10.2006

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setembro 25, 2011

706 - SAUDADE DE TEUS LÁBIOS

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SAUDADE DE TEUS LÁBIOS

Vou de mãos dadas na saudade
Dos teus lindos e meigos lábios
É enorme minha ansiedade
Por seus beijos doces e sábios

Eles eram o meu grato prazer
Que me aqueciam de paixão
Sonho p’ra sempre os ter
Não, não é pura ilusão

Saudade, é a falta que dói
De teus lábios sonhadores
Ao meu coração, ela rói
Causando tantos clamores

São a cor, que só eu vejo
E o ardor de minha vida
Tanto esses lábios desejo
Na delirante esperança florida

De: Fernando Ramos
13.10.2006

Publicado por ramos às 09:35 PM | Comentários (0)

setembro 22, 2011

705 - FELIZ AMANDO

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FELIZ AMANDO

Vou Sendo feliz amando
A natureza, as crianças
Amando a família, os velhos
Os amigos, a pátria
Amando-te perdidamente
Até o raiar do dia
Acendendo a chama
Da felicidade que chega
Na alvorada em apoteose

Vou sendo feliz amando o mar
Num profundo amar
E nele vou navegando ao vento
Deslizando o meu amor
No sentido do mistério da Natureza
Na sua inteira razão

de: Fernando Ramos
12.10.2006

Publicado por ramos às 08:57 PM | Comentários (0)

setembro 17, 2011

704 - SERÁ LEI

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SERÁ LEI

Sei bem, que um dia será lei
passear no verde prado
Olhar os lírios na planície
Embelezando exuberantemente
a mãe natureza

Será lei, no Outono pisar
as folhas vadias
nos jardins que calam
minha alma

Será lei, na primavera
passear com meu amor,
e sentir a fragrância marota
das flores silvestres
nas frescas manhãs

Sei bem que tudo isto será lei!

De: Fernando Ramos
11.10.2006

Publicado por ramos às 05:18 PM | Comentários (0)

setembro 15, 2011

703 - MUSAS

MUSAS

Na crista da onda
Musas navegam à bolina
Que na força do vento
Querem chegar a um destino
Já jurado, e traçado

Elas irão encontrar rochas
Gastas por pedaços de tempo
Vão no desígnio do divino
Procurando seu refugio merecido,
Chegando sabe-se lá quando!

Talvez ao anoitecer,
Num pleno inverno
Cujos pingos de chuva
As receberão numa praia,
Onde o brando som das marés
Certamente as convidará a ficar

Elas, chegarão com Deus
Que lhes oferece gomes de luz
Alumiando-lhes a alma
Na força poética
Do momento de chegada

E as Musas viajantes
Sabem perfeitamente que as ondas
Companheiras se despedirão
Ali na beirinha daquela praia
Entregando-as nos braços das rochas
Que as irão abraçar
E acolher na sua dureza

de: Fernando Ramos
10.10.2006

Publicado por ramos às 07:53 PM | Comentários (0)

setembro 14, 2011

702 - MALES PERFEITOS

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MALES PERFEITOS

MALES PERFEITOS

Arvores se curvam na idade
Rochas se desgastam p´las ondas
Florestas ardem com o fogo
Nós capitulamos no tempo
É assim o ciclo da vida
Das coisas, da natureza
Até o ar que se respira tem um fim
Se o homem, continuar
Na insensatez,
E na sua falta de vergonha
De não conservar, conservar
Sempre conservar
Terá seu fim rápido
Mas que importa...
Seu egoísmo é mais forte
Então, caminha na penumbra
P’ro túmulo dos chacais
E dos males perfeitos

De: Fernando Ramos

De: Fernando Ramos
01.10.2006

Publicado por ramos às 07:23 PM | Comentários (0)

setembro 13, 2011

701 - A OPERA DA LIBERDADE

MUSICO.JPG

A OPERA DA LIBERDADE

Hoje foi a opera de Mozartt
Amanhã o que será?
Vai-se esfumando a minha liberdade,
A tua liberdade!
Querem-nos castrar p’lo terror
Querem-nos emaranhar na teia
Que vai tecendo
O que está acontecer mundo?
Só porque uso a liberdade
De amar nos jardins,
Só porque digo não,
Ao oportunismo, ao sadismo
Ao fascismo, a todos os “ismos”.
À anti cultura
Querem-me controlar?
E a minha liberdade?
A minha religião
O meu amor pela arte,
A independência, e as conquistas
Dos nossos antepassados,
Onde param?
Que se passa mundo!
Só porque somos diferentes,
Temos de ter medo?
Não podemos ceder à chantagem!
Quero a minha opera de Liberdade, já!!!

De: Fernando Ramos
29.9.2006

Publicado por ramos às 07:05 PM | Comentários (1)

setembro 12, 2011

700 -INVERNO DE MIL ÁGUAS

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INVERNO DE MIL ÁGUAS

Porque será que a folha cai
quando o Outono chega?
E ao cair da folha,
A nostalgia nos invade
Parece que o tempo
Vagarosamente passa
A tristeza fica nossa companheira
E a angustia toma conta de nós
Tornando a vida numa cor bizarra
A solidão torna-se delorosa
Nada há a fazer...

Esperamos que o Inverno
Nos entre p’la porta,
E que o crepitar da lenha
Ardendo na lareira
Siga seu rumo, entre labaredas
Aquecendo-nos dos dias frios
Não há mesmo nada a fazer
Senão esperar p’la chegada
Do senhor Inverno de mil águas
E aconchegar-nos
Junto da brasa acesa

Sentindo a branda quentura da lenha
E lendo aquele livro há muito guardado
Ou até folhearmos a nossa memória
De outros Invernos tão agrestes
Passados à beira da mesma lareira
Que é o tesouro do nosso quintal
Onde cochichamos segredinhos
Nas noites que fazem do sono rei
E das madrugadas a rainha

de: Fernando Ramos
27.9.2006

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setembro 11, 2011

699 - AMOR E RAZÃO

AMOR E RAZÃO

Alguém chora sua tristeza
Na raiva que emaranha a dor
É um momento de pura fraqueza
Sente-se enganada no seu amor
Jamais conseguirá perdoar
Uma traição tristemente cometida
Por quem ela julgava que a ia amar
E à sua paixão, fez-lhe uma partida

Num fado de amor e razão
Sua dor é muito lembrada
Gemem guitarras, esta desilusão
P’la perda da pessoa amada
Hoje, ao divino suplica paixão
Que não há meio de voltar a ter
Seu coração diz sempre que não
E de outra desilusão não quer padecer

Vive só, em sofrimento
Num turbilhão de queixumes
Perdoar, é cair no esquecimento
E surgirá dor de dois gumes
Quem traiu não volta mais
Pensa assim seu sentimento
Não voltará a suspirar mais ais
Por quem lhe trouxe tal tormento

de: Fernando Ramos
25.9.2006

Publicado por ramos às 07:39 PM | Comentários (1)

setembro 10, 2011

698 - NOITES

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NOITES

Minhas noites,
Tem o peso da música,
Que entontece a alma
Ao som de um bolero,
Ou de uma cantata de Bach

Minhas noites,
Tem o caminho das recordações
Que surgem com a lágrima marota
Que teimosamente não cai
Na imensidão da dor

Minhas noites,
Tem o sentido das palavras
Que escuto
Trazendo-me o conhecimento
Ou até daquelas palavras
Nunca ditas,
Mas perfeitamente
Compreendidas num
Olhar cúmplice

Minhas noites,
Tem a tristeza da solidão
Que insiste não ter fim,
E que me persegue
Até as noites terminarem

de: Fernando Ramos
24.9.2006

Publicado por ramos às 05:12 PM | Comentários (0)

setembro 08, 2011

697 - VAMOS NAS TUAS ASAS

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VAMOS NAS TUAS ASAS

Vai nas tuas asas filha amada
Nosso coração cansado e partido
Uma brilhante luz de prata de fada
Trouxe-te o futuro esperado do cúpido

És a nossa graciosa avezinha
Bateste asas, saíste do nosso ninho
Segues teus sonhos querida Joaninha
Herdamos a lágrima caída devagarinho

Teu suave perfume se exala p’lo ar
Na triste saudade que não tem fim
Nosso ouro encontrou o sonho de amar
Guardamos tua ternura de cetim

Teu lugar será sempre no meio de nós
Tua áurea nos acompanha até morrer
Sem ti no lar, estamos tristes e sós
Só o teu amor nos dá força p’ra viver

A saudade, bate forte nestes corações
P’la nossa menina de saborosos miminhos
Recordamos beijos fortes de emoções
Em nossos rostos repletos de beijinhos

Amamos a luz que cintila em teu olhar
Escutamos o bater forte do teu coração
Sentimos emoção por ele nos confessar
Que nós somos a tua eterna paixão

Serás sempre nossa flor de formosura
E voaremos nas tuas asas, seguramente
Deus te proteja, com seu olhar de doçura
Querida filha, que te amamos loucamente

De: fernando Ramos
Para a filha
23.9.2006

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setembro 07, 2011

696 - ROSA DE FORMOSURA

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ROSA DE FORMUSURA
(soneto)

Magra, de olhos verdes brilhantes
Pele clara fina de muita lisura
Homens sonham serem amantes
De tão linda rosa de formosura

Não resistem a tal encanto
Em noites incandescentes
Seu andar causa espanto
A olhares felizes e ardentes

Ela sorri, e tanto provoca
Ateando extraordinário fogo
É mulher que nunca se troca

Guardam-na guardar como tesouro
P’ra que não aconteça um roubo
A quem a tanto quer, como ouro

De; Fernando Ramos
22.9.2006

Publicado por ramos às 08:21 PM | Comentários (0)

setembro 06, 2011

695 - SONHO NA ESPERANÇA

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SONHO NA ESPERANÇA

Nenhum pensamento,
Nenhuma dúvida me assalta
Nenhuma réstia de esperança
Me cerca no meu viver
Quando me sinto só e triste
E tão próximo do descontentamento
Não sorriu à natureza
Na elevada noite de orvalhada
Nem nas noites de todas as eclipses
E num voo rasante e harmonioso
O brando amanhã me trará
Um novo e rico alento
P´ra subtil vontade de meu viver
Que matará a sede das flores
À beira de todos os riachos de esperança
Que falta na floresta mais profunda
Da minha eternidade humana
E em meu peito, já mais desesperará
A dúvida antes assaltada
Do sonho que chega na esperança
Em glória, e não no seu desespero
Porque do futuro me interrogo
E no meu passado todos os sonhos
De esperança me fascinam
Adormecidos na cama dos meus olhos

De: Fernando Ramos
22.9.2006


Publicado por ramos às 07:44 PM | Comentários (0)

694 - BEM DE MANSINHO

MOXICO-1.jpg

BEM DE MANSINHO
(soneto)

Caiu a noite, bem de mansinho
Toldando o céu de negrume
Nela surge a lua, devagarinho
Num adeus ao azul que se sume

O dia, depois irá retornar
E os amantes à noite voltarão
Meticulosamente p’ra amar
longe das estrelas que brilharão

Será num jardim de belas flores,
Flores que os ateiam de bons feitiços
Esgueirando-se em perfeitos amores

Para as noites bem sorridentes
Onde estrelas não lhes darão sumiços
Nas madrugadas das noites quentes

de: Fernando Ramos
21.9.2006

Publicado por ramos às 10:06 AM | Comentários (0)

setembro 03, 2011

693 - DESAMOR DO HOMEM NOVO

araucarias.jpg

DESAMOR DO HOMEM NOVO

Minhas mágoas desapareceram
Quando p’ra mim o sol brilhou
Ele me ensina como nasceram
Hábitos que a natureza elevou
Ela se sente envergonhada
P’lo desamor do homem novo
Que vive na mentira ocultada
Longe do mundo do povo

A natureza renova-se dia, a dia
Com sabedoria e inovação
Novas oportunidades cria
Num esforço, que não é em vão

O homem novo a deve respeitar
P’ra herança de gerações futuras
Pois a natureza, se tem de amar
Melhorando hábitos e posturas
Ela é sol, e mar da vida
Que Deus nos ofertou
Traz felicidade acrescida
Que um tempo bem semeou

De: Fernando Ramos
24.9.2006

Publicado por ramos às 06:18 PM | Comentários (0)

setembro 02, 2011

692 - ESPERANÇA FUGIDA

jarra.jpg

ESPERANÇA FUGIDA

Ó esperança não fujas
Deste meu sentido vasto
Que na bruma da noite
Me incómoda no leito
Tu que és guarda da solidão
Do meu inóspito peito
Nas madrugadas solitárias

Brandamente surges no sono
Vindo de caminhos tumultuosos
Trazendo o mensageiro incolor
Que voará em perfumes preciosos
Distribuíndo seu leve odor
E a doce esperança fugida
Que vagueia no ar
Recebida em meu coração
Ofertando-me de ilusão
Enchendo a alma
De odores de sua razão
Empregnados de fidelidade a Deus
Meu rei, e senhor da esperança
Que a todos guarda sem pudor
Na sua boa cristandade
No meio de servos escolhidos
Que juram paz, e liberdade

De: Fernando Ramos
21.9.2006

Publicado por ramos às 07:41 PM | Comentários (0)

setembro 01, 2011

691 - JARDIM

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JARDIM

No jardim onde vou
Brilha o sol p’ra mim
Lá pergunta-se, quem sou
Se sou, uma arvore dali?

No jardim de meu descanso
Obeservo bem o seu verde
Lá o Outono entra de manso
E ás flores mata a sede

No jardim, onde brinquei
Havia meninos, e meninas
Hoje, onde estão, não sei
E se são pobres ou finas

No jardim, do meu passeio
Ouço o vento no seu choro
Agitam-se flores lá no meio
Sua frescura p’ra elas, é ouro

No jardim, onde amei
Num amor longo e profundo
Com essa linda mulher casei
Agora p’ra mim, é um mundo

No jardim do verde trevo
A paz ali muito me diz
É um oásis onde escrevo
A Deus, um poema feliz

No jardim, das flores graciosas
Tanta poesia eu lá escrevi
Agora beijo, as lindas rosas
E já jamais sairei dali

De: Fernando Ramos
20.9.2006

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690 - MAS AMAR

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MAS... AMAR

Mas amar,
Amar de verdade
É sentir o arrepiar da pele
Quando vem a saudade
Dos murmúrios de amor
Que é a razão de sonhar
É estar empregnado no mel
Da bonita lembrança dos
Nossos pequenos nadas

Mas amar,
Amar de verdade
É ser feliz,
Muito feliz
P’lo sorriso de paixão
Que beija o sol p’la manhã
Quando não despertamos sós

Mas amar,
Amar de verdade
É aceitar os defeitos.
Não ter preconceitos
Agarrar a esperança vadia
P’ra não se perder num tempo

Mas amar,
Amar de verdade
É respeitar os silêncios
O voar das borboletas
A felicidade da criança,
Quando golfa os lindos seios nus
De sua mãe

Mas amar,
Amar, de verdade
É amar perdidamente...

De: Fernando Ramos
20.9.2006

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agosto 31, 2011

689 - NOSSO SEGREDO GUARDAO

mulher chapeu vermelho.jpg

NOSSO SEGREDO GUARDADO

Quem está comigo na vida
Só eu sei, só eu sei
Ele me encontrou bem sofrida
E agora é meu bem

Em segredo guardamos
Esta nossa boa relação
Dela, a ninguém falamos
P’ra não corar o coração

Ao meu amor, deito desejos
Em nossa cama de sonhos
Bem lhe entrego meus ensejos
Qua não são nada tristonhos

Desta união fazemos segredo
P’ra que ela nunca se perca
Senão, criam-nos um enredo
É nossa perdição, p’la certa

Só eu sei, só eu sei
Como é bom com ele viver
De seus filhos serei mãe
É só ele, e Deus o querer

De: Fernando Ramos
20.9.2006

Publicado por ramos às 10:59 PM | Comentários (0)

688-MENINAS SABIDAS

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MENINAS SABIDAS

Há por aí umas meninas
De esperteza e gosto caro
Algumas, são bem jeitosinhas
Por isso, não lhes falta amparo

São esbeltas, e de frescura
Da beleza se aproveitam
Amam quem lhes dá ternura
E no seu dinheiro se deitam

São espertas, e bem sabidas
E a vida não lhes dá segredos
Tiveram infâncias destruídas
Nada lhes pode causar medos

Mas a frescura vai passando
E algumas meninas tem juízo
Com bons partidos vão casando
P’ra seu futuro sem prejuízo

Mas outras... Rara esperteza tem
O tempo p’ra elas vai voando
Mais tarde falta-lhes o vintém
E p’la miséria vão penando

De: Fernando Ramos
21.9.2006

Publicado por ramos às 07:23 PM | Comentários (0)

agosto 29, 2011

687-MEU CANSAÇO

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MEU CANSAÇO

Ficar só, é meu destino
Que se perde no pensamento
Faz-me a vida num tormento
Tirando o pouco alento
Que me mata devagarinho
Nesta minha triste solidão

O dia pode ser mau pedaço
P’la falta de um abraço
Da relação que foi fracasso
Dum amor louco de coração
Mas, procuro sempre a boa luz
Pró meu parco viver
Que na escuridão me fará ver
Como poderei enlouquecer
Por tão pesada cruz

Este momento que desfaço
P’ra mim terá de acabar
Outro amor irei encontrar
E meu coração voltará amar
Que findara meu cansaço

De: Fernando Ramos
18.9.2006


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